A estrutura das Revoluções Políticas

Thomas Kuhn foi um dos mais importantes filósofos da ciência. Norte-americano, escreveu uma das principais obras do século XX: A estrutura das revoluções científicas. Segundo o pensador estadunidense, a ciência foi construída e desenvolvida por meio de perspectivas padronizadas de tempos em tempos, ou seja, direcionada a um paradigma (também chamado de Ciência Normal, arquétipo para as comunidades científicas). Assim, o paradigma se aproxima da tradição científica que vigora em determinada época. Por óbvio, um paradigma não é absoluto, mas é a metodologia mais adequada para o cientista.

Entretanto, quando o sistema paradigmático não mais resolve uma série de anomalias, surge a crise do mesmo. Os métodos tradicionais vão se ruindo, aos poucos, até que aparece um novo paradigma. Como exemplos históricos, podem ser citados a passagem do sistema Ptolomaico para o Copérnico, bem como a passagem da física aristotélica para a newtoniana.

Thomas KuhnHarvard University, 1949

Thomas Kuhn

Analogamente, nota-se uma mudança de paradigma na Política Ocidental, na segunda década do século XXI.

Primeiramente, na região da América: a América Latina foi recheada de governos de viés mais à esquerda, após o fim das ditaduras militares que varreram a região na segunda metade do século passado. Entre o fim dos anos 90 e o início dos anos 2000, o lulismo no Brasil; o kirchnerismo na Argentina; o chavismo na Venezuela; Evo Morales na Bolívia. Todos eles impulsionaram o crescimento do Mercosul. Agora, no Brasil, Dilma (pupila de Lula) está afastada do cargo e seu partido vive num mar de denúncias de corrupção; na Argentina, Macri foi eleito o novo presidente com uma vertente política muito diferente dos Kirchner; na Venezuela, Maduro sofre uma crise sem precedentes, na qual a população não tem dinheiro para comprar sequer papel higiênico e há lutas pela queda do regime bolivarianista; e, na Bolívia, Morales perdeu o referendo em que postulava concorrer por mais uma reeleição. Tudo isso somado à crise econômica do Mercosul.

Depois, a surpreendente saída do Reino Unido da União Europeia. O bloco europeu foi fundado em 1992 e o euro passou a circular nos países-membros a partir de 1º de janeiro de 1999. Até a saída do Reino Unido, 28 países faziam parte do bloco econômico. Com argumentos de mais autonomia econômica (robustecidos pela crise da Grécia) e, também, devido aos atentados terroristas (Paris 2015) e questões imigratórias (milhares de refugiados entram em países europeus nos últimos anos), a maioria dos britânicos e irlandeses do norte votou pela saída da União Europeia.

Diante disso, não há dúvidas sobre uma crise política no Ocidente. O paradigma do Estado de bem-estar social atrelado a blocos econômicos parece ruir paulatina e constantemente. O problema é o cenário que se apresenta para sanar as várias anomalias: o rápido crescimento do ultraconservadorismo, com o bilionário Donald Trump, nos EUA, e Jair Bolsonaro, no Brasil. Todo cuidado é pouco.

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Sobre lucassrodrigue

Graduado em Filosofia pela UFMG e Mestrando pela mesma instituição. Dezenas de artigos publicados em Jornais, como Estado de Minas e O Tempo. Debates sobre o cotidiano e (i) a filosofia, com seus aspectos políticos, sociais e éticos; (ii) os filmes, com suas possibilidades de interpretações inúmeras; e (iii) o espiritismo, doutrina por mim seguida na vida.
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Uma resposta para A estrutura das Revoluções Políticas

  1. Elaine Soares disse:

    Boa análise, como sempre.
    Só espero que seja mesmo uma mudança de paradigma, e não apenas mais uma alternância de poderes e de correntes, entre a “esqueda” e a “direita” ou entre o “pós-keynesianismo” e o ‘neoliberal”.
    Aguardemos…
    beijos

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