Artigo – Jornal Estado de Minas – 16/04/2014 – “Esporte e suas lições de ética”

Opa!

Mais um artigo meu publicado pelo Jornal Estado de Minas.

Segue o link para os assinantes: http://impresso.em.com.br/app/noticia/cadernos/opiniao/2014/04/16/interna_opiniao,112460/esporte-e-suas-licoes-de-etica.shtml

Tal artigo é uma versão um pouco menor e modificada do meu Post: “Lições de Ética com Djokovic, Klose, Lélio Gustavo e outros”, que você pode conferir aqui.

Segue, abaixo, a versão do jornal.

 

Ética e moral são palavras com sentidos semelhantes. A primeira vem do grego ethos e a segunda, do latim morus. Ambas se referem aos costumes e a maneiras de viver. O ser humano é um ser moral, ou seja, em qualquer sociedade em que viva, tem uma noção do certo e do errado. Dessa forma, ética, de maneira geral, é uma palavra que remete ao modo de viver, porém não a qualquer modo, mas, sim, viver virtuosamente, ou corretamente, ou prudentemente (vai do gosto de cada filósofo e, aqui, os escolhidos são Confúcio, Jesus e Kant). Em 26/3/2014, o tenista sérvio Novak Djokovic venceu o britânico Andy Murray pelas quartas de final do ATP de Miami. O problema foi que um dos pontos cruciais para a vitória de Djokovic ocorreu de forma ilegal. O tenista da sérvia invadiu o campo adversário e ganhou o ponto. Logo após o fim do ponto, Novak coça o nariz e se expressa de forma que demonstra saber que invadiu a quadra. No entanto, permanece calado. O replay roda no telão e o tenista adversário questiona o sérvio que, ainda assim, não assume a falha.

Obviamente, também falhou o juiz, mas, por questão de ética, Djokovic deveria dizer que cometeu uma irregularidade. Assim ele não o faz e acaba vencendo o primeiro set e, depois, o jogo. Ainda no mesmo mês de março de 2014, no dia 8, Aaron Hunt, jogador do Werder Bremen da Alemanha, durante uma partida de futebol, cai na área e o árbitro marca pênalti contra o Nuremberg, pelo campeonato nacional. O jogador se levanta e fala com o juiz que não foi pênalti. Este desmarca a falta e o jogo continua. Outro exemplo, também no futebol: jogando pelo Napoli, o segundo maior artilheiro da história das copas, Miroslav Klose, fez um gol de mão, mas disse ao juiz e este o anulou. Confúcio, filósofo oriental, por volta do século 8 a.C., criou a regra de ouro: “Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem contigo”. Algum tempo depois, Jesus Cristo trouxe o mesmo ensinamento ético, em sua versão positiva: “Faça aos outros somente o que gostaria que fizessem contigo”. Diante disso, certamente Djokovic não ficaria satisfeito se fosse Murray quem tivesse feito o que ele fez no jogo. Então, por que agiu assim? Vale lembrar que, no caso do jogo alemão, o time do jogador que assumiu que não houve pênalti ganhava a partida por 2 a 0. Será que ele agiria dessa forma se estivesse 0 a 0? São questões difíceis de responder.

Entretanto, não é difícil saber que a atitude do tenista foi antiética, bem como as outras foram éticas. Kant é claro, segundo seu Princípio do imperativo categórico: “Devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal”. Assim, não há exceção à regra. A ação moral é universal. E, se eu não gostaria que houvesse uma exceção numa “regra moral” para me prejudicar, também não posso abrir essa exceção para me beneficiar. No fim das contas, apesar de todo aparato teórico, a conclusão não é que estejam faltando para Novak Djokovic e para outras pessoas um maior conhecimento confucionista, cristão ou kantiano. Falta mesmo é mais bom senso. Não só para eles, mas para boa parte dos seres humanos espalhados pelo mundo.

 

Sobre lucassrodrigue

Graduado e Mestre em Filosofia pela UFMG. Dezenas de artigos publicados em Jornais, como Estado de Minas e O Tempo. Debates sobre o cotidiano e (i) a filosofia, com seus aspectos políticos, sociais e éticos; (ii) os filmes, com suas possibilidades de interpretações inúmeras; e (iii) o espiritismo, doutrina por mim seguida na vida.
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