Não gosta de autoajuda, intelectual? Beijinho no ombro.

Até algum tempo atrás – pouco, em se tratando de História da Humanidade – não existiam escritores do gênero autoajuda. Isso não significa que não havia obras de tal gênero; havia, e já atraía muitos leitores. Hoje, há gênero específico e sempre está entre os maiores Best Sellers do mundo. Alguns autores não têm qualquer problema em admitirem fazer parte desse ramo, como Augusto Cury ou Luc Ferry, por exemplo. Já outros fogem dessa característica, como Paulo Coelho ou Lya Luft.

Dentro do universo dos elogios e das críticas, existe um grupo específico, o dos intelectualizados, que não poupa esse tipo de escritores. Estes são acusados de pseudoconhecedores, oportunistas, alienadores. Afinal, brada o grupo crítico, não existe uma receita para ser feliz (apesar de que essa defesa dos intelectuais não deixa de ser, também, uma receita).

É curioso analisar que os críticos desse gênero geralmente são pessoas mais rabugentas e mais céticas. Assim, tudo no mundo está errado, menos tais pessoas; todos são culpados e elas as únicas vítimas. Não conseguem “enxergar o lado bom das coisas”. Odeiam quando leem ou escutam “nada acontece por acaso”, pois, se alguém obtém uma promoção no emprego, vira um empresário ou um escritor de sucesso, foi devido a sorte, malandragem ou porque tinha costas largas.

Osho sentencia: “Nunca tenha medo da opinião das pessoas. Essa é a maior escravidão do mundo”. Os detratores da autoajuda levantam a sobrancelha para esse tipo de frase, apesar de serem os maiores escravos da vida, uma vez que não podem aceitar nenhum tipo de sabedoria que venha desse ramo do senso comum, da superficialidade. O que tem valor está um patamar acima, na ciência, no eruditismo, no academicismo. Às vezes até gostam de um artigo mais popular, mas como admitir essa opinião para os amigos da alta patente?

Os intelectuais dizem que os livros sobre como ganhar dinheiro são ridículos, mas reclamam dia após dia da falta de dinheiro e do sistema capitalista; já os sobre amor são asquerosos, não obstante o fato de tais pessoas estarem com o casamento só no papel e não saberem transmitir seus mais nobres sentimentos aos filhos.

Dessa forma, ao receberem tais críticas, os escritores de autoajuda podem ficar chateados, tristes, deprimidos. No entanto, continuam sua jornada. “Se você não acreditar em si próprio, quem acreditará?” Além disso, eles afirmam que amam o que fazem. “Faça o que goste e seja feliz”.

Em suma, o mundo continua e, enquanto isso, os escritores de autoajuda ganham cada vez mais dinheiro e seus leitores se sentem cada vez mais felizes e motivados. Por outro lado, os críticos reclamam cada vez mais e invejam a posição dos criticados. Essa é a realidade – sem generalizar, mas para muitos. “Aceita que doi menos”.

Ih! Esse texto virou mais um de autoajuda. E agora? Só me resta me unir ao time, valendo-me de um jargão mais recente: “Beijinho no ombro”.

Sobre lucassrodrigue

Graduado e Mestre em Filosofia pela UFMG. Dezenas de artigos publicados em Jornais, como Estado de Minas e O Tempo. Debates sobre o cotidiano e (i) a filosofia, com seus aspectos políticos, sociais e éticos; (ii) os filmes, com suas possibilidades de interpretações inúmeras; e (iii) o espiritismo, doutrina por mim seguida na vida.
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8 respostas para Não gosta de autoajuda, intelectual? Beijinho no ombro.

  1. Fátima Soares Rodrigues disse:

    É isso, Lucas, e, na verdade, o que está em voga, hoje, nas artes, é o sexo, as drogas e a violência. A realidade ocupou o lugar da ficção, e, assim, a criatividade deixou de ser necessária. Obras que nos permitiam devanear, sair um pouco da nossa dura realidade, passaram a ser “fantasiosas”, e,sendo inverossímeis não lhe são dados os devidos créditos. Ora, retratar apenas a realidade cruel, temos os jornais e as redes sociais que fazem isso a cada segundo. A continuar desse jeito, não me espantarei se o clássico “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint’Exúpery, for considerado um livro de autoajuda, e, por isso, “desconsiderado”.

  2. Elaine Soares Rodrigues disse:

    Se autoajuda fosse tão senso comum, qualquer um poderia escrever e o seu conteúdo não faria diferença na vida de tantas pessoas. Eu estou com você quando atribui o preconceito contra a auto ajuda ao academicismo e ao medo da elite da literatura.Esses livros, por acaso, são cheios de erros de gramática e de incoerências?? Se não são, são literatura, sim! Passam uma mensagem, importante para muita gente. E certamente são melhores do que muitos textos acadêmicos que rodeiam, rodeiam, e não dizem nada.

  3. Risa disse:

    Ihhhh…..Acho que serei aqui a cética, a rabugenta, sei lá mais o que de ruim, porque embora não seja ïntelectualizada, não tenho em minha estante nenhum livro de autoajuda, simplesmente porque não me atraio por ele. Nada tenho em absoluto contra quem goste e se não gosto, não é porque ache a leitura pouco culta ou porque o autor seja um oportunista descarado que baixou sobre terra para explorar as mentes mais ingênuas…rss,,,Não! Mas porque acho-os todos muito parecidos na abordagem e no conteúdo. Particularmente em ¨Nada acontece por acaso¨, fala-se de verdades e valores , que embora sejam belos, já preexistem de forma latente em todos nós. Intimamente os conhecemos, ocorre que precisamos de alguém que os aponte! Precisamos de alguém que fale deles e nos lembre que eles existem. E isto traz consolo e acalma a mente , traz as respostas a tantas indagações diárias. Na minha opinião , aí está o motivo da autoajuda fazer tanto sucesso: traz consolo, orientação, acalma e tem uma linguagem acessível e portanto, é uma leitura que não cansa! Nunca comprei livros de autoajuda , mas dei uma passada de olhos em alguns deles nas livrarias e a sensação que tive ao le-los foi a de ¨chover no molhado¨…e para provar que não é por preconceito ou esnobismo, confesso que a leitura que mais gosto são histórias reais e as crónicas de Rubem Braga, As primeiras porque são fidedignas, realmente aconteceram e as segundas, porque embora não sejam consideradas arte literária, me encantam pela forma tão simples e ao mesmo tempo táo lírica com que ele fala das coisas do cotidiano! A forma como ele escreve deixa entrever toda a sua grande sensibilidade e humanidade , um sentimento bom, causando muita emoção e me despertando sentimentos tão nobres, que nunca sentí com nenhum livro de autoajuda! Acho , que muitas pessoas necessitam de um pouco dessa poesia em suas vidas e assim também eu! Porque isto sim é para mim uma GRANDE AJUDA!

  4. luana costa disse:

    Nietzche vs. Aristóteles, again

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