Os “selfies” e os “likes”

A última moda é o chamado selfie. Originado do termo self-portrait, que significa autorretrato, esse tipo de foto pulula nas redes sociais. Desde aquela pessoa que você não sabe como faz parte de sua lista de amigos no Facebook, até aquela famosa que você segue no Instagram, passando por no mínimo uma da sua família, muitos são os que estão se esbaldando com os selfies.

Mas, como tudo na vida, há uma razão para isso. Nesse caso, atende por uma palavra, também de língua inglesa: like, ou likes. São as curtidas, os “gostei”; ocorrência que chama novos seguidores. Numa geração altamente preocupada com a estética (e nem tanto com a ética), é de suma importância o “ok” dos espectadores amigos e visitantes.

Narciso nunca foi tão atual. Só mudam alguns aspectos da cena. Não há mais necessidade do rio, mas sim do espelho e/ou do smartphone. Porém, o entorpecimento (palavra derivada do grego narke – de onde também é a palavra narcótico) é o mesmo. Entorpecimento pela busca do corpo ideal, por meio de super dietas, super remédios e super exercícios, bem como em busca do rosto ideal, da pele ideal, do cabelo ideal, por todos os meios que a tecnologia (e o dinheiro) puderem alcançar. Ou ainda tão somente entorpecimento por si mesmo. O problema que esse “si mesmo” não aprofunda para além da casca.

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Interessante que as pessoas publicam seus selfies e só querem aprovação, elogios, enfim, querem ter o ego inflado. Nada de conselhos ou críticas. Como ouvi há certo tempo, “pedimos conselho esperando aprovação”. Contudo – retomando a questão de que a preocupação com a ética está num patamar mínimo – hoje é raro alguém pedir conselho (só se for de vestuário ou coisa que o valha – isto é, novamente só o aspecto estético). Já se impõe o “pedido” de aprovação diretamente.

Num mundo onde a autoestima deveria se relacionar com o autoconhecimento, o autodomínio e características afins, mas que se relaciona para muitos com a publicação e divulgação de um autorretrato, alguma coisa está errada. Não curti.

Sobre lucassrodrigue

Graduado e Mestre em Filosofia pela UFMG. Dezenas de artigos publicados em Jornais, como Estado de Minas e O Tempo. Debates sobre o cotidiano e (i) a filosofia, com seus aspectos políticos, sociais e éticos; (ii) os filmes, com suas possibilidades de interpretações inúmeras; e (iii) o espiritismo, doutrina por mim seguida na vida.
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3 respostas para Os “selfies” e os “likes”

  1. Fátima Soares Rodrigues disse:

    Uma frasezinha criada por mim: No “Face” também mora a falsidade. E já que muitos são “amigos” de alguns “famosos”, a “curtida”, ainda que falsa, é para marcar presença. Simplesmente para mostrar que estão “presentes”..
    Sou mais os anônimos deste mundo. São reais e leais ao que pensam.

  2. Elaine Soares Rodrigues disse:

    Like!l Like! Like!
    Superbe!

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