Fim do futebol

Foi como o esperado. Sem surpresas. 5 a 0. Goleada. Os juízes do STJD foram enfáticos ao afirmarem, à moda Arnaldo Cezar Coelho, que a regra é clara. Ou seja, não é culpa do Tribunal a reviravolta no campeonato brasileiro, mas sim, única e exclusivamente, do time da Portuguesa. Os responsáveis por aplicar a lei deveriam fazê-lo, e pronto. Sem mais.

Embora haja discussão até sobre essa premissa de que era um fato cabal a punição contra a Portuguesa do jeito que foi, não me estenderei. Notícias acerca dessa questão não faltam. Basta uma pequena pesquisa internet afora. Há a alegação de que o time paulista teria de ser intimado para cumprir a suspensão e por aí vai. Há links e mais links.

Sem contribuir muito com a especificidade do assunto (o que poderia até favorecer o julgamento dos juízes, somado à comoção geral), vou partir do princípio de que a Portuguesa descumpriu o regulamento. Ok. A minha questão é: vamos pegar a jurisprudência? Assim, também teremos um sem número de páginas na internet, desde colunas de jornalistas, reportagens sobre, etc, que mostram diversas vezes em que vários times não cumpriram a lei. No entanto, na grande maioria das vezes, a regra não pareceu tão clara assim para os mesmos juízes. Não houve punição. Ou, no máximo, uma punição patética, para inglês ver.

O problema não é especificamente Fluminense, Unimed ou coisa que o valha. O buraco é mais embaixo. Curto e grosso: quando a infração pode favorecer um time grande (e prejudicar um pequeno), a regra sempre é clara. Então, há punição, age-se de acordo com a legalidade, com a ética. Quando a infração pode favorecer um time pequeno (e prejudicar um grande), entram as peculiaridades do Direito e as oratórias nojentas dos profissionais da área (com todo o respeito) e, no fim, pizza.

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E isso ocorre dessa forma porque o futebol virou um negócio. Não qualquer negócio, mas um MUITO rentável. Logo, por trás das cortinas, isto é, nos bastidores, quem “tem a boa” – cada vez mais – tem mais poder sobre esse tal futebol, que antigamente era um esporte.

Por isso, cada vez mais acredito em jogos comprados. Todo dia um indivíduo se aposenta e bota a boca no trombone, dizendo que jogo X e jogo Y foram comprados, que já estava tudo armado, etc etc. Por isso não duvido mais quando falam que um ou outro jogo foi “arranjado”. Não duvido, mesmo. E, por isso, também não duvido de que houve até um negócio entre pessoas de dentro da Portuguesa e do Fluminense. Não duvido. É uma hipótese que nada tem de absurda.

A Copa de 2014 será no Brasil. O Brasil que terá os estádios mais caros da História das Copas. O Brasil que virou propriedade da Fifa, durante esse tempo todo. Marionete. Que trocou inclusive os apresentadores do sorteio das chaves, dias atrás, na Costa do Sauípe. É muito poder para um simples “futebol”.

Enfim, para mim deu. Vivi 30 anos com bastante futebol, com um time de coração, com alegrias e tristezas, e até algumas discussões imbecis. Entretanto, depois de tudo citado supra, mais o fato de ter pessoas próximas que trabalham na mídia e próximo do governo, hoje sei um pouquinho desse tal bastidores (que está cada vez mais à tona, para qualquer cego enxergar). Não vale a pena. É muito pão e circo. Vergonhoso. Alguns estão cancelando Unimed, outros o pay-per-view. Eu estou cancelando o futebol da minha vida. É o fim.

Ultimamente, com a moda dos memes da internet, diz-se que “a zueira é sem limites”. Eu percebo que, “no futebol, a sujeira é sem limites”. E não há humor aqui. Só tristeza. E lama. Muita lama.

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Sobre lucassrodrigue

Graduado e Mestre em Filosofia pela UFMG. Dezenas de artigos publicados em Jornais, como Estado de Minas e O Tempo. Debates sobre o cotidiano e (i) a filosofia, com seus aspectos políticos, sociais e éticos; (ii) os filmes, com suas possibilidades de interpretações inúmeras; e (iii) o espiritismo, doutrina por mim seguida na vida.
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4 respostas para Fim do futebol

  1. Thiago Bigao disse:

    Compartilho desse mesmo sentimento seu Lucas. Futebol ja deu. Vou continuar acompanhando e amando o meu time, mas o futebol, esse ai deixo para quem ainda se deixar alienar a esse jogo de cartas marcadas. A cena mais deprimente que vi ontem foi a da torcida do Fluminense comemorando o não rebaixamento e ainda tirando sarro da situação dos torcedores da Lusa.

    Agora mais uma reflexão que me veio a mente: Sera que os “cabeças” do Bom Senso F.C vão lutar pelo direito dos atletas da Lusa, que foram diretamente prejudicados, ou vão se sentar em suas poltronas confortaveis em casa (ja que não a mais gramado para isso) e ficarem indiferentes a isso. E o bobão do Marin, não vai se pronunciar?

    Enfim… Enquanto torcedores se matam em estadios, o advogado do Fluminense é carregado pelos braços do povo Fluminense (ou parte dele) como se fosse um heroi nacional.

  2. Fátima Soares Rodrigues disse:

    Há muito que o futebol virou apenas negócio. Como disse o Bigão, é um dó que tantos torcedores tenham perdido a vida “por ele”. E outros tantos, que continuam vivos, sacrificam a vida também pelo futebol.
    E, quanto às falcatruas, “jogo sujo” e outras artimanhas, fico com William Shakespeare::
    Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.

  3. Fátima Soares Rodrigues disse:

    Muito bom. Fiquei atualizada por aqui.Futebol é mesmo antagônico: traz felicidade e tristeza, união e separação, amor e ódio. Podia ficar por aí, mas como se transformou em um ótimo negócio, como você bem disse, virou esse lamaçal todo. Muito previsível, basta conhecer os que têm poder que eles estarão sempre “ganhando”, por cima.
    Tomara que muitos outros abram os olhos e queiram enxergar o que é o verdadeiro futebol hoje, citando seu texto: “Não vale a pena. É muito pão e circo. Vergonhoso.”

  4. Elaine Soares Rodrigues disse:

    O comentário de cima é meu. Saiu como da mamãe, sem querer.

    Muito bom. Fiquei atualizada por aqui.Futebol é mesmo antagônico: traz felicidade e tristeza, união e separação, amor e ódio. Podia ficar por aí, mas como se transformou em um ótimo negócio, como você bem disse, virou esse lamaçal todo. Muito previsível, basta conhecer os que têm poder que eles estarão sempre “ganhando”, por cima.
    Tomara que muitos outros abram os olhos e queiram enxergar o que é o verdadeiro futebol hoje, citando seu texto: “Não vale a pena. É muito pão e circo. Vergonhoso.”

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