A mídia e as redes sociais

As redes sociais estão cada vez mais fortes. Ainda há um ou outro indivíduo que não se rendeu a Facebook, Twitter, Instagram ou coisa que o valha, mas a grande maioria possui uma conta em pelo menos um desses “canais”. E, diante dessa nova situação mundial, em que há grande número de pessoas constantemente “logados” nesses ambientes virtuais, a mídia também se adentrou nesse cenário.

No twitter, Globo, Band, CBN, Folha de S. Paulo e diversos outros veículos jornalísticos possuem conta. No Facebook, não é muito diferente. Uma vez que é tendência a extinção do jornal impresso, vão se criando novas alternativas para o leitor – e para a própria sobrevivência da mídia jornalística.

No entanto, é interessante notar que o ambiente das redes sociais não é muito diferente do ambiente fora delas. Aqui em Belo Horizonte, por exemplo, o jornal mais vendido da cidade trata-se de um Folhetim de poucas páginas, que custa menos de R$1,00 e se concentra em três assuntos: notícias trágicas e sanguinolentas; futebol; mulher sensual de biquíni.

Grande parte da população é alheia com relação ao julgamento do Mensalão; à criação de dois novos partidos políticos (e à tentativa de um terceiro, o de Marina Silva); à investigação da Polícia Federal nas licitações ligadas aos metrôs de São Paulo; na questão delicada entre EUA e Síria; na espionagem na NSA americana nos e-mails pessoas da Presidente Dilma; etc. Pesquisa da Folha de S. Paulo recente revelou que cerca de 19% da população brasileira se dizia por dentro do julgamento do Mensalão e sabia do que se tratava os embargos infringentes.

É muito pouco, mas isso não é novidade. O que é interessante, porém, refere-se ao fato de que o cenário das redes sociais parece sugerir que a situação seja um pouco diferente. Há uma tendência em pensar que os usuários do mundo virtual sejam mais cultos (mesmo porque o que mais pipoca nesse meio são debates sobre os mais variados assuntos, com muita gente se manifestando, certo de sua posição e opinião). Contudo, o que se pode perceber – pela própria manifestação da mídia dentro das redes sociais – não corrobora com esse possível diagnóstico supra referido. Vejamos algumas manchetes publicadas por um ou mais veículos nos últimos dias: “Ex-vice miss Bumbum quer ser a nova Hebe Camargo”; “Alexandre Kalil sairá candidato ao Senado pelo PSB em 2014 e Gilvan de Pinho Tavares disputará pelo PV”; “Joelma do Calypso aparece irreconhecível em foto antiga”; “Americana dança e publica vídeo no YouTube para pedir demissão”; “Bárbara Evans nega relacionamento com Marcos Oliver no passado”.

Claro que também há notíciais mais importantes, no âmbito da política, da economia, da tecnologia, do meio ambiente, internacional, e por aí vai. Mas os responsáveis pelas postagens sabem o que continua vendendo. Ou seja, é apenas ilusão o raciocínio de que a globalização, a cada vez maior inserção social no mundo digital e virtual e até as manifestações de Julho demonstram um Brasil mais politizado e atento às notícias do País. A demanda continua a mesma, por mais facilidade que haja no que tange ao acesso à informação. Só mudou a forma de consumo, que hoje também (e cada vez mais) se dá pelas redes sociais. Confesso que fui enganado por um tempo.

Sobre lucassrodrigue

Graduado e Mestre em Filosofia pela UFMG. Dezenas de artigos publicados em Jornais, como Estado de Minas e O Tempo. Debates sobre o cotidiano e (i) a filosofia, com seus aspectos políticos, sociais e éticos; (ii) os filmes, com suas possibilidades de interpretações inúmeras; e (iii) o espiritismo, doutrina por mim seguida na vida.
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3 respostas para A mídia e as redes sociais

  1. Fátima Soares Rodrigues disse:

    O detalhe, meu filho, é que, na verdade, as pessoas continuam NÃO LENDO. Explico: se o enunciado contiver duas ou no máximo três linhas, será lido. Agora, se o texto, após algumas linhas, tiver a seguinte frase: “continue lendo”, aí o sujeito sapeca um “curtir” e “faz-de-conta-que-leu-tudo, né? Sei disso pelos comentários, muitas vezes sem pé nem cabeça, postados. Daí é que surge o maria-vai-com-as-outras. Não leu, mas o sujeito acima deu a sua opinião, então, “vou na dele”, concordando ou discordando, conforme o “fluxo”. , Conclusão: as redes sociais não criaram mais leitores, e, sim, SEGUIDORES. É o que penso.

  2. Você tem razão. Acabei de faze um teste e entrei no “globo.com”, um dos sites mais acessados de “notícias” e logo nas primeiras notícias temos fatos sensacionalistas e “fofocas” de artistas. Como você disse, é o que se vende. hoje.

    Mas confesso que você fez uma descoberta sensacional: eu também tinha impressão que, com a mídia virtual, o povo estava mais “culto.”. Acho que não né…

  3. Laura disse:

    Na comunicação nós estudamos muito isso, e eu mesma pretendo fazer uma pós em mídias sociais porque gosto muito do assunto. A questão que acontece hoje, no âmbito das manifestações, por exemplo, é que nós temos o “revolucionário do sofá”: aquele que nas redes compartilha sobre política e movimentos sociais, reclama do país, mas não faz nada para mudar, não levanta.

    A geração Y (ou Z agora), é totalmente conectada e têm mais acesso à informações do que tínhamos há 10 anos, mas infelizmente isso não quer dizer que temos usuários mais informados. Se a globo só destaca notícias do EGO, ou se o SUPER ultrapassou as vendas da Folha de S. Paulo e hoje é o jornal mais vendido do Brasil, é porque eles TÊM leitores, pessoas que só querem saber de fofocas, sangue, mulher pelada.

    As mídias vieram para transformar nossas vidas, entreter, facilitar nossa comunicação, mas o comportamento dos usuários é um reflexo da nossa sociedade, infelizmente.

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